terça-feira, 28 de abril de 2009

Sobre as Leis Anti-tabagistas ( não sei se ainda tem tracinho, hehe)

O primeiro livro do Luís Fernando Veríssimo que li foi Zoeira, lançado pela L&PM. Trata-se de um livro de crônicas. Pois, justo numa dessas crônicas, não estou lembrada do título, ele começa conjecturando quais seriam os estopins da 3° guerra mundial e conclue que algumas batalhas preliminares detonariam o processo. Uma dessas batalhas, justamente a qual ele desenvolve uma demonstração de possibilidades, seria entre fumantes e não-fumantes. Na época dessa crônica os fumantes eram felizes e não sabiam, Acho que Veríssimo nem imaginava que leis anti-tabagistas(sic) seriam criadas nos moldes de uma patrulha ostensiva, com multas previstas e que tais.
Pode ser que não deflagre uma guerra de proporções mundiais, não chego a acreditar nesses exageros, sou daquelas céticas que costuma manter cautela apropriada, não fico alarmada com que divulgam sobre certas pesquisas científicas, principalmente aquelas que caem no gosto de certos políticos. Falo daquelas que vestem como luvas certos propósitos ideológicos.
Um dos motivos é que já muito fato científico ser divulgado com alarde enquanto um grupo de pesquisadores já estavam pondo o tal fato em xeque. Outro motivo tem a ver com o uso ideológico que se faz desses trabalhos, estes costumam ser divulgados pela mídia de forma acrítica e o povo assimila com passividade a informação. Tanto o primeiro motivo quanto o segundo estão na base dos medos e na gênese dos preconceitos.
No caso do nosso tema, o tabagismo, as leis estão sendo elaboradas para proteger os não fumantes da fumaça dos fumantes. Existem pesquisas sobre o efeito da fumaça na saude de quem apenas inala passivamente. Não nego que isso possa trazer algum dano, o problema está na diferença de abordagem entre o discurso científico, o jornalístico e o político. Estes últimos os meios pelos quais as informações são divulgadas. É comum um jornalista divulgar um fato científico como palavra final da ciência enquanto a ciência jamais expõe seus dados como um fato consumado. "Certamente teremos que fazer muitos testes ainda", diria um cientista responsável, mas a imprensa tem pressa. Claro que li informações sobre testes complementares nas matérias, mas geralmente a tal matéria coloca esses "porens" e "entretantos" no final do texto. Todo mundo lê uma matéria até o final? Esses é o problema. As pessoas preferem ter certeza das coisas. Mentiras que agradam são melhores que verdades que doem.
No segundo motivo está envolvido o uso político. Se temos duas equipes de cientistas pesquisando o mesmo objeto, com metodologias semelhantes, resultados diferentes, ou ainda, metodologias distintas e resultados iguais, se é que isso é possível, ou qualquer permuta desse binômio metodologia-resultado não tem a menor importância para quem faz política, na hora de implementar leis ele, o político, vai usar os dados que interessar e se ajustar mais para justificar a nova lei. Se depois esses dados são desmentidos por novas pesquisas é irrelevante e a lei continua do jeito que está.
Podemos não estar em vias de uma guerra, mas a falta de crítica dos consumidores, a falta de noção da imprensa do psiquismo dos cientistas e a ideologização política pode levar no mínimo à criação de mais um preconceito, mais uma divisão social - já temos bastante delas - e dessa vez com tudo para virar um apartheid.
No fundo não sabemos o que mantêm uma pessoa viva nem porque aparecem certas doenças em algumas pessoas. O melhor a fazer é é deixar cada um no seu canto. Se todo não- fumante respeitasse as áreas destinadas aos fumantes e sentasse nos lugares certos essas leis seriam menos necessárias.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Entre Livros

Minha obsessão pelos livros começou quando eu ainda era criança. É muito fácil definir uma causa para isso, minha mãe costumava dizer que quem lê pouco não aprende a conversar, começa a falar bobagem e uma série de outras "ameaças", até então eu achava que eu lia o suficiente para obter uma vida intelectual saudável, sem estresse, apenas uma pessoa bem informada, sem excessos, nem carências. Mas essas ameaças despertaram em mim um medo quase fóbico de ser uma excluída social por falta de brilho intelectual, falta de assunto, etc. Era assustador. Diante disso passei a ler tudo que eu via pela frente, enciclopédia, cheguei a ler a Barsa inteira, dicionários, romances, livros esotéricos, a Bíblia, o Corão, livros científicos e pseudocientíficos, bula de remédio, manuais e tudo o mais. Hoje eu sofro pelo excesso, foi assim que eu descobri que os pais mentem, não são senhores absolutos em suas sentenças. Quando a gente observa a vida real as leis sociais são bem diferentes, quem lê muito consegue conversar com quem tambem lê muito, que não lê nada também encontra seus pares sociais, mais não existe essa ideia de exclusão, ninguem fica de fora porque nunca leu um livro, o jogo social, principalmente o brasileiro, parece dar preferência aos papos leves e evitam o aprofundamento, o almanaque parece mais útil do que Voltaire ou Aristóteles nesse sentido.
Não quero dizer com isso que as pessoas não devam ler livros, eles são importantes sim, mas dentre as razões pelas quais as pessoas deveriam buscar um livro está a própria importância que o livro tem para a História da humanidade, nós não chegaríamos até aqui se não fosse a existência dos livros. Mesmo que hoje eu possua cada vez menos interlocutores apaixonados eles vão continuar me acompanhando, mas, creio, pelos motivos certos.

Ateísmo Militante II

Como conviver num mundo predominantemente religioso sendo ateu? Certamente não é fácil, sempre haverá alguem questionando a nossa "opção" de não acreditar em Deus. Bom, creio (no bom sentido) que não depende simplesmente de opção. Sempre me pareceu que algo no cérebro era determinante para que uma crença ou uma não-crença possa se instalar e ficar lá dentro. Algumas pessoas podem, por pressões familiares e sociais, começarem crentes e lá pelas tantas, depois de alguns estudos e umas reflexões chegarem a conclusão que nada disso pode ser verdade. Não se trata de querer ser ateu, simplesmente não dá para ser outra coisa. Algumas descobertas científicas parecem corroborar com essa ideia. O cérebro dos crentes apresentam algumas características diferentes.
Enxergo isso como uma epifania às avessas, os crentes se dizem convertidos por uma revelação divina, dizem que foram tocados pela mão de Deus, No caso dos ateus "convertidos", ocorre o mesmo fenômeno, mas no sentido inverso, fomos tomados pela consciência, fomos chamados pela razão, em ambos os casos ocorre uma revelação. O mundo não pode ser explicado de outra maneira. O crente enxerga Deus em toda parte, até mesmo, em lugares onde certamente ele não está. O ateu não enxerga Deus em parte alguma, mas também, não faz muita diferença ele estar ou não estar em algum lugar.
Certa vez tive altos problemas com um colega. Ele parecia não entender o que eu queria dizer com o que era evidência científica, foi terrível, ele me dizia que acreditava na sabedoria chinesa, tipo acupuntura, do-in, i-ching, daí eu expliquei que apesar dessas coisas muitas vezes darem certo, muitas vezes também não dão muito certo, mesmo que sejam métodos eficientes de curar e ajudar, elas não estão livres de uma investigação, é importante compreender o funcionamento, o mecanismo, do contrário o conhecimento não se renova. No caso da acupuntura, temos uma série de doenças modernas que nem os chineses, nem o resto do mundo conheciam, algumas dessas doenças passaram a existir agora, será que uma técnica tão antiga daria conta das doenças modernas, para isso que precisamos entender seu funcionamento. A medicina precisa perceber se o efeito é placebo, se é paliativo ou se é verdadeiramente eficiente, e saber enxergar os dados para estabelecer essas diferenças. Não se trata de dizer se funciona ou não, acredito nessa terapêutica ou não, é tambem saber como funciona e porque funciona, do contrário não é possível aperfeiçoar,ou mesmo, aplicar em algum caso novo que apareça.
Eu além de ateísta, sou também cética, não aceito acreditar em qualquer coisas, as evidências são necessárias para mim..

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ateísmo Militante

Tenho acompanhado alguns artigos que atacam os ateus mais determinados. Aqueles que clamam em seus livros o desprezo por todas religiões, posso até não concordar com alguns argumentos, mas creio ser necessário discutir o assunto a fim de se evitar alguns paradoxos. O Primeiro Paradoxo trata da questão do pregador, já vi muitas comparações entre o discurso militante e as pregações religiosas, mas ao mesmo tempo, como é possível ficar quieto quando do outro lado chegam ataques, discursos impregnados de falácia e outras coisas do gênero?
Mesmo que alguns cientistas respeitados não queiram participar de uma discussão acalorada sobre a existência de Deus não significa, segundo minha humilde opinião, que outros cientistas não possam fazer disso um tema a ser discutido e provocado. acho que estamos num momento bastante oportuno para isso. Chegamos ao séc.XXI, espera-se das pessoas de nossa época um discernimento razoável para avaliar a plausibilidade de ambos os discursos.
OSegundo Paradoxo que não é exatamente um paradoxo, mas seria um problema de ponto focal. Não penso que seja legítima a oposição da ciência com a religião, acho que só podemos opor coisas que são legitimamente opostas e simétricas, tipo Crença X Não-Crença, Religiosidade X Laicidade, Ciência X Senso-Comum, logo podemos concluir que a discussão deveria girar em torno de outros pressupostos. O que a ciência pretende modificar no mundo? Qual é o seu verdadeiro papel? Quanto a primeira questão acredito que essa mudança seria a elucidação do funcionamento do mundo e o consequente aperfeiçoamento deste. Seu papel é dialogar com os fatos e fenômenos e trazer algum sentido lógico a existência deles, Nos mostrar o que eles significam. Por essas e outras questões que o cientista deve ter um pensamento livre de preconceitos, pois se os tiver, é possível que o tratamento dos dados sejam prejudicados.
Quanto aos fenômenos da crença e da não-crença não vejo uma solução para isso. Apesar de eu achar que a questão deve sim ser provocada, afinal temos vários exemplos do mal que a cegueira intelectual é capaz de causar ao mundo e às pessoas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Eu não Tenho Jeito

Eu acabo de adquirir mais um livro, estou com 7 na fila de espera para serem lidos e acabo de comprar mais um. Comprei o Elza, a Garota, deve ser interessante. O Ateu Virtuoso ainda está (ainda tem acento?) me tomando tempo, mas eu não estou com pressa, prefiro terminar de ler com um entendimento próximo do completo do livro. Mas não vejo a hora de ler os outros livros da fila.

A Vitrola de Platão

A primeira vez que eu vi esse termo, que dá nome ao blog, foi no livro de José Miguel Wisnik, O Som e o Sentido, era um dos subtítulos do capítulo que trata do universo modal da música. A metáfora, que não sei se foi cunhada pelo próprio Wisnik, serve para nos explicar o modelo cosmológico de Platão. Este, por sua vez enxergava o cosmo como uma órbita circular perfeita, onde os planetas giram, seu movimento era regido por tres entidades gregas posicionadas de forma que uma delas faria o papel da agulha da vitrola, a medida que os planetas girassem eles produziriam um som. É daí que surgiu a ideia da existência da "música das esferas", pode ser que exista isso, uma vez que qualquer movimento é gerador de som, alguns podem não ser audíveis, tanto por serem de baixa quanto de alta frequencia. tanto que se fala nos meios acadêmicos de hoje que a música não precisa nem ter som, basta ter o movimento. Ainda não cheguei a uma conclusão sobre essa ideia, até porque, a intenção desse texto não é abordar a viabilidade disso poder ou não ocorrer.
Minha intenção aqui era mostrar de onde eu tirei o nome do blog, estou aguardando sugestões e comentários, se alguem souber de alguma publicação onde A Vitrola de Platão tenha sido usada ante de Wisnik fique a vontade.. Não quero ser a dona da verdade, quero apenas dividir algumas ideias e aprender alguma coisa com quem gosta de conhecer as coisas. Sejam bem vindos a este espaço.

terça-feira, 31 de março de 2009

O Ateu Virtuoso

Esse livro mostra o caleidoscópio que foi o pensamento de Diderot, Escrito por Paulo Jonas de Lima Piva. Eu já li, deste mesmo autor, Ateismo e Revolta. Nos dois livros ele mostra a difilcudade de enquadrar os pensadores dessa época, sec XVIII, em alguma categoria. Os pensadores desse período se destacavam em várias atividades. As fronteiras da literatura e da filosofia nunca eram muito seguras. Piva começa os dois livros situando o leitor sobre o que seria um filósofo, quais são os atributos específicos que um filósofo deve possuir, ele dialoga com essas correntes até chegar a uma definição do pensador tratado como filósofo. No primeiro caso, Diderot e, Jean Meslier, no segundo.
A dificuldade de classificar esses pensadores como filósofos, segundo ele, está no fato de: é Necessário haver um pensamento sistematizado? O discurso precisa estar enquadrado em algum método? Perguntas que o autor julga necessárias para seguir adiante na apresentação dos pensadores.
Jean Meslier foi uma personagem improvável. Foi um padre de uma pequena comunidade francesa, era ateu, comunista e materialista. Diderot foi educado pela família para pertencer ao clero, mas escapou para viver na boemia parisiense. São livros fundamentais para o entendimento das origens do livre pensamento e da construção do homem moderno.