Minha obsessão pelos livros começou quando eu ainda era criança. É muito fácil definir uma causa para isso, minha mãe costumava dizer que quem lê pouco não aprende a conversar, começa a falar bobagem e uma série de outras "ameaças", até então eu achava que eu lia o suficiente para obter uma vida intelectual saudável, sem estresse, apenas uma pessoa bem informada, sem excessos, nem carências. Mas essas ameaças despertaram em mim um medo quase fóbico de ser uma excluída social por falta de brilho intelectual, falta de assunto, etc. Era assustador. Diante disso passei a ler tudo que eu via pela frente, enciclopédia, cheguei a ler a Barsa inteira, dicionários, romances, livros esotéricos, a Bíblia, o Corão, livros científicos e pseudocientíficos, bula de remédio, manuais e tudo o mais. Hoje eu sofro pelo excesso, foi assim que eu descobri que os pais mentem, não são senhores absolutos em suas sentenças. Quando a gente observa a vida real as leis sociais são bem diferentes, quem lê muito consegue conversar com quem tambem lê muito, que não lê nada também encontra seus pares sociais, mais não existe essa ideia de exclusão, ninguem fica de fora porque nunca leu um livro, o jogo social, principalmente o brasileiro, parece dar preferência aos papos leves e evitam o aprofundamento, o almanaque parece mais útil do que Voltaire ou Aristóteles nesse sentido.
Não quero dizer com isso que as pessoas não devam ler livros, eles são importantes sim, mas dentre as razões pelas quais as pessoas deveriam buscar um livro está a própria importância que o livro tem para a História da humanidade, nós não chegaríamos até aqui se não fosse a existência dos livros. Mesmo que hoje eu possua cada vez menos interlocutores apaixonados eles vão continuar me acompanhando, mas, creio, pelos motivos certos.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Ateísmo Militante II
Como conviver num mundo predominantemente religioso sendo ateu? Certamente não é fácil, sempre haverá alguem questionando a nossa "opção" de não acreditar em Deus. Bom, creio (no bom sentido) que não depende simplesmente de opção. Sempre me pareceu que algo no cérebro era determinante para que uma crença ou uma não-crença possa se instalar e ficar lá dentro. Algumas pessoas podem, por pressões familiares e sociais, começarem crentes e lá pelas tantas, depois de alguns estudos e umas reflexões chegarem a conclusão que nada disso pode ser verdade. Não se trata de querer ser ateu, simplesmente não dá para ser outra coisa. Algumas descobertas científicas parecem corroborar com essa ideia. O cérebro dos crentes apresentam algumas características diferentes.
Enxergo isso como uma epifania às avessas, os crentes se dizem convertidos por uma revelação divina, dizem que foram tocados pela mão de Deus, No caso dos ateus "convertidos", ocorre o mesmo fenômeno, mas no sentido inverso, fomos tomados pela consciência, fomos chamados pela razão, em ambos os casos ocorre uma revelação. O mundo não pode ser explicado de outra maneira. O crente enxerga Deus em toda parte, até mesmo, em lugares onde certamente ele não está. O ateu não enxerga Deus em parte alguma, mas também, não faz muita diferença ele estar ou não estar em algum lugar.
Certa vez tive altos problemas com um colega. Ele parecia não entender o que eu queria dizer com o que era evidência científica, foi terrível, ele me dizia que acreditava na sabedoria chinesa, tipo acupuntura, do-in, i-ching, daí eu expliquei que apesar dessas coisas muitas vezes darem certo, muitas vezes também não dão muito certo, mesmo que sejam métodos eficientes de curar e ajudar, elas não estão livres de uma investigação, é importante compreender o funcionamento, o mecanismo, do contrário o conhecimento não se renova. No caso da acupuntura, temos uma série de doenças modernas que nem os chineses, nem o resto do mundo conheciam, algumas dessas doenças passaram a existir agora, será que uma técnica tão antiga daria conta das doenças modernas, para isso que precisamos entender seu funcionamento. A medicina precisa perceber se o efeito é placebo, se é paliativo ou se é verdadeiramente eficiente, e saber enxergar os dados para estabelecer essas diferenças. Não se trata de dizer se funciona ou não, acredito nessa terapêutica ou não, é tambem saber como funciona e porque funciona, do contrário não é possível aperfeiçoar,ou mesmo, aplicar em algum caso novo que apareça.
Eu além de ateísta, sou também cética, não aceito acreditar em qualquer coisas, as evidências são necessárias para mim..
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